Temporal mobiliza equipes de emergência no RS

Foto: Divulgação/Prefeitura de Rio Grande

O Rio Grande do Sul enfrenta uma sequência de eventos meteorológicos severos desde sexta-feira (18). Até a segunda-feira (21), 119 municípios haviam registrado ocorrências relacionadas a vendavais, chuva intensa, granizo, alagamentos, enxurradas e deslizamentos. Segundo balanço preliminar da Defesa Civil estadual, eram 122 ocorrências e mais de 527 mil pessoas afetadas. O levantamento mais recente apontava quatro mortes, três feridos e um desaparecido.

Entre os danos registrados estão residências destruídas, imóveis destelhados, quedas de árvores e postes, interrupções no fornecimento de energia e bloqueios de rodovias.

A resposta envolve estruturas estaduais e municipais de proteção e defesa civil, Corpo de Bombeiros, forças de segurança, equipes de saúde e órgãos responsáveis pela infraestrutura. As ações incluem monitoramento meteorológico e hidrológico, emissão de alertas, buscas e salvamentos, retirada preventiva de moradores, desobstrução de vias e atendimento às famílias atingidas.

Formação atmosférica é registrada em Ernestina

Durante o episódio de tempo severo, uma formação atmosférica foi registrada em Ernestina, no norte do Estado, apresentando rotação na base da nuvem. O registro foi descrito por veículos de imprensa como uma possível supercélula.

A análise do meteorologista Vitor Takao, da Climatempo, apontou a presença de uma pequena rotação de ar na base da nuvem, mas ressaltou que as imagens não eram suficientes para confirmar a formação de uma nuvem funil ou de um tornado.

Dessa forma, embora a formação tenha sido associada à possibilidade de uma supercélula, a classificação não deve ser apresentada como uma confirmação oficial do fenômeno. O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), por sua vez, havia alertado para um cenário de tempo severo no Estado, com possibilidade de tempestades, granizo e rajadas intensas de vento.

Defesa Civil mantém monitoramento

A Defesa Civil estadual acompanha as condições meteorológicas e hidrológicas e emitiu diferentes alertas durante a passagem do sistema.

Na segunda-feira (21), o órgão alertou para risco muito alto de deslizamentos pontuais em Caxias do Sul e para a possibilidade de inundações em rios como Caí, Paranhana, Taquari, Jacuí e Sinos. O Centro de Monitoramento também apontou elevação significativa de arroios e rios na região hidrográfica do Guaíba.

A previsão divulgada pela Defesa Civil indicava acumulados de chuva que poderiam superar 150 mm em 12 horas em áreas da metade Norte. Entre sábado (19) e segunda-feira (21), os acumulados poderiam ultrapassar pontualmente 230 mm.

Além do monitoramento, as estruturas municipais atuam na avaliação dos danos, orientação da população e retirada preventiva de pessoas de áreas de risco.

Bombeiros concentram buscas em Caxias do Sul

Em Caxias do Sul, o Corpo de Bombeiros Militar atua em ocorrências relacionadas às enxurradas e na busca por pessoas desaparecidas.

Um dos casos envolveu a busca por um homem que teria sido levado pela água para dentro de uma galeria pluvial enquanto realizava a limpeza de um sistema de drenagem. Os bombeiros utilizam equipamentos e contam com apoio de equipes e maquinário municipal nas operações.

A Prefeitura de Caxias do Sul informou que a chuva acumulou cerca de 110 mm em duas horas na manhã de segunda-feira, sobrecarregando temporariamente a rede de drenagem em diferentes pontos da cidade.

Rio Grande decreta situação de emergência

Em Rio Grande, os ventos chegaram a 113,7 km/h durante cerca de 20 minutos, segundo o decreto municipal que declarou situação de emergência nível II. O temporal provocou danos em edificações, destelhamentos, quedas de árvores e postes e impactos na infraestrutura urbana e rural. Mais de 80% da rede elétrica do município foi atingida, segundo o documento.

A prefeitura instalou um gabinete de crise para coordenar as ações dos diferentes órgãos municipais. As equipes priorizaram a retirada de entulhos, árvores e postes que obstruíam ruas ou atingiam residências. Segundo a administração municipal, houve mais de 100 pedidos de socorro à Defesa Civil.

A Defesa Civil Municipal também trabalhou no atendimento a imóveis destelhados e na distribuição de lonas para cobertura provisória.

Governo federal reforça articulação

A resposta ao temporal também conta com a atuação do governo federal. O MIDR (Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional), por meio da Defesa Civil Nacional, mantém servidores em missão no Rio Grande do Sul para acompanhar a evolução das condições meteorológicas e fortalecer a articulação com as defesas civis estadual e municipais.

O órgão informou que a mobilização ocorreu diante de alerta vermelho do Inmet, que previa chuva superior a 60 mm por hora ou 100 mm por dia, ventos acima de 100 km/h e queda de granizo.

Também em 21 de setembro, a Defesa Civil Nacional reconheceu situação de emergência em dois municípios gaúchos: Cerro Grande, em razão de queda de granizo, e Rio Grande, devido a vendaval. O reconhecimento permite que os municípios solicitem recursos federais para ações de defesa civil por meio do S2iD (Sistema Integrado de Informações sobre Desastres).

Na área da saúde, o Ministério da Saúde mantém em Porto Alegre uma base regional da FN-SUS (Força Nacional do Sistema Único de Saúde), integrada aos Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC). A estrutura atua no monitoramento e na preparação da rede de saúde para eventos climáticos extremos.

Segundo o Ministério, a FN-SUS pode apoiar municípios quando a infraestrutura local de saúde é comprometida, inclusive com unidades móveis e modulares, medicamentos de urgência e insumos para purificação de água.

PorLia Nara https://revistaemergencia.com.br/destaque/temporal-mobiliza-equipes-de-emergencia-no-rs