Foto: Divulgação / Blue Station
Uma tecnologia desenvolvida no interior do Rio Grande do Sul busca manter a comunicação e o fornecimento de energia em locais atingidos por desastres, justamente quando redes convencionais podem deixar de funcionar. A Blue Station, estação autônoma de inteligência, comunicação e energia, foi criada por profissionais de tecnologia após as enchentes que atingiram o Estado em 2024.
O equipamento foi projetado para atuar em cenários de colapso da infraestrutura, combinando painéis solares, baterias, internet via satélite, Wi-Fi e outros recursos de comunicação. A solução é voltada para administrações públicas, Defesa Civil, municípios, empresas e condomínios.
A tecnologia será apresentada ao público em três demonstrações em Porto Alegre, nos dias 18, 19 e 21 de setembro. As atividades ocorrerão na Defesa Civil de Porto Alegre, no Tecnopuc e na Subprefeitura das Ilhas.
A origem da Blue Station está relacionada à atuação voluntária de profissionais nas cidades de Muçum e Encantado durante as enchentes de 2024. Liderada por Flaviano Moroni e Luciano Frizon, a equipe encontrou dificuldades para prestar auxílio devido à interrupção dos sistemas tradicionais de comunicação.
“Nesses momentos de crise, a infraestrutura para a comunicação precisa continuar, justamente para articular as forças de socorro e contingência. Essa experiência que tivemos com os alagamentos de 2024 nos fez perceber que precisávamos de uma solução”, explica Flaviano Moroni, CEO da Blue Station.
Segundo o empresário, a proposta foi desenvolver uma plataforma que pudesse funcionar continuamente, de forma fixa ou móvel, especialmente durante situações de desastre.
Teste após tornado no Paraná
A Blue Station também foi utilizada em uma ocorrência de grande impacto no Paraná. Em novembro de 2025, um tornado atingiu o município de Rio Bonito do Iguaçu, destruindo cerca de 80% da cidade.
No dia seguinte ao desastre, uma unidade móvel foi deslocada pela equipe gaúcha até o município e instalada junto a um posto de combustível utilizado como base pelas forças públicas. De acordo com os responsáveis pela tecnologia, foram necessários cerca de 30 minutos para posicionar o reboque, instalar os painéis solares e sincronizar o equipamento com a rede de satélites.
Nos primeiros cinco dias, a estação teria sido o único sistema compartilhado de comunicação em funcionamento no quartel-general das operações. O sinal também foi utilizado por moradores para enviar mensagens às famílias e informar que estavam vivos.
A unidade permaneceu no município por mais de 30 dias, auxiliando as atividades de reconstrução e o trabalho dos agentes públicos. A tecnologia também teria sido utilizada durante quatro meses em um hospital de campanha em Minas Gerais.
Energia e comunicação integradas
A Blue Station reúne diferentes recursos em uma única estrutura. A geração de energia é feita por painéis fotovoltaicos, que recarregam as baterias e garantem autonomia ao sistema. O equipamento também pode funcionar como ponto de apoio para recarga simultânea de celulares e notebooks.
Na área de comunicação, a estação oferece conexão Wi-Fi e uma rede de telefonia que permite a comunicação direta entre duas unidades, sem depender de celulares individuais.
O sistema conta ainda com estação meteorológica, câmeras de monitoramento, sinalização sonora e luminosa e um drone acoplado para reconhecimento aéreo da área atingida.
De acordo com a empresa, a proposta é reduzir a dependência de estruturas que podem ser comprometidas durante um desastre, como redes elétricas, fibra óptica e torres de telefonia.
A Blue Station também incorpora recursos de Inteligência Artificial (IA) para gerenciamento da estrutura, funcionando como uma central de comunicação e monitoramento.
Unidades fixas e móveis
Os responsáveis pela tecnologia defendem a combinação de unidades móveis de resposta rápida com equipamentos fixos instalados previamente em áreas consideradas vulneráveis.
A estratégia considera situações em que enchentes, deslizamentos ou danos à malha viária impeçam a chegada de veículos de emergência ou do próprio reboque que transporta a estação móvel.
A proposta é instalar unidades permanentes em locais como bairros vulneráveis, ilhas, praças e distritos rurais. No cotidiano, esses equipamentos podem funcionar como pontos de conectividade comunitária e, durante uma emergência, apoiar as operações de comunicação e resgate.
Demonstrações em Porto Alegre
A Blue Station será apresentada em três locais da capital gaúcha. As demonstrações são abertas à população, imprensa e gestores de Defesa Civil, municípios e empresas.
Defesa Civil de Porto Alegre
Data: 18 de setembro
Endereço: Rua Buenos Aires, 156 – Jardim Botânico, Porto Alegre/RS
Tecnopuc – Portão 6
Data: 19 de setembro
Endereço: Avenida Bento Gonçalves, 4.592 – Partenon, Porto Alegre/RS
Subprefeitura das Ilhas / Praça Salomão Pires Abrahão
Data: 21 de setembro
Endereço: Rua Capitão Coelho, s/n – Ilha da Pintada, Porto Alegre/RS
PorLia Nara Bau



