Destroços de tragédia no Nepal dificultam resgate de desaparecidos

Por Lia Nara Bau Foto: UNICEF/Laxmi Prasad Ngakhusi

As inundações que atingiram o Nepal após o rompimento de uma geleira deixaram pelo menos 2,2 milhões de toneladas de detritos, de acordo com análise preliminar do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgada pela ONU News. A enchente repentina ocorreu em 26 de agosto e arrastou água, lama e pedras por comunidades dos distritos afetados.

Resgate enfrenta condições difíceis

Para o Pnud, o grande volume de material acumulado representa um dos principais obstáculos para as operações de salvamento. Conforme relatado pela ONU News, prédios desabados, pilhas de lama e outros destroços tornam o trabalho das equipes mais difícil e perigoso, especialmente nas áreas onde ainda há pessoas presas ou desaparecidas.

A ONU News informa, com base nos dados apresentados, que o Nepal já contabiliza cerca de 1 mil mortos e mais de 4 mil desaparecidos. Por outro lado, segundo as informações divulgadas, equipes especializadas já resgataram 10.451 pessoas.

O cenário em Nuwakot, no centro-norte do Nepal, exemplifica as dificuldades encontradas após as inundações. De acordo com o Pnud, o distrito ficou coberto de lama. Imagens divulgadas pela ONU mostram equipamentos pesados de construção, incluindo carregadeiras e caminhão basculante, atuando em um assentamento atingido.

Danos afetam serviços essenciais

Os impactos sobre a infraestrutura energética também foram destacados pelo Pnud em sua análise. Segundo o programa, 11 usinas hidrelétricas e uma usina solar, com capacidade total de 431,1 megawatts, haviam parado de operar.

Ainda de acordo com o Pnud, outros 15 projetos de energia que estavam em construção, com capacidade planejada de 470 megawatts, também sofreram danos. Para o programa, esses prejuízos contribuem para retardar a retomada dos serviços essenciais nas regiões afetadas.

A avaliação divulgada pela ONU News aponta ainda que as enchentes atingiram comunidades que já estavam entre as mais vulneráveis do Nepal. Conforme o Pnud, cerca de três em cada quatro pessoas afetadas viviam em áreas onde os meios de subsistência, o acesso a serviços básicos e as condições de vida já eram precários.

A representante do Pnud no Nepal, Kyoko Yokosuka, afirmou, segundo a ONU News, que famílias perderam entes queridos, casas e meios de subsistência, enquanto comunidades inteiras enfrentam dificuldades para restabelecer a conexão com os serviços essenciais e entre si.

84.270 pessoas afetadas

Dados do governo citados pelo Pnud e divulgados pela ONU News indicam que 84.270 pessoas foram afetadas em 17 municípios de seis distritos. A maioria das localidades atingidas é rural e está situada nas regiões montanhosas do Nepal.

De acordo com o Pnud, 67,4% das pessoas que vivem nesses municípios trabalham na agricultura. Por isso, os danos às plantações, ao gado e às terras agrícolas podem provocar impactos prolongados sobre a segurança alimentar e a renda das famílias.

O período em que ocorreram as inundações também é considerado particularmente difícil para as comunidades rurais. Conforme a análise do Pnud, a principal temporada de plantio de monções do Nepal ocorre entre junho e setembro.

Diante da dimensão dos danos, Kyoko Yokosuka ressaltou, conforme relato da ONU News, a necessidade de garantir que os esforços de recuperação alcancem as pessoas mais afetadas e contribuam para que reconstruam suas vidas com maior resiliência.

Fonte: https://revistaemergencia.com.br/geral/destrocos-de-tragedia-no-nepal-dificultam-resgate-de-desaparecidos/