Bombeiros Brasileiros

Cornonel Hiller abordando gestão, operações, prevenção e perpesctiva para a corporação

Por: Claudia Ferreira

Coronel, conte um pouco de sua traje-tória no Corpo de Bombeiros Militar do Paraná e os principais momentos de sua carreira.

Vou contar um pouco de minha trajetória no Corpo de Bombeiros Militares do Paraná.
Eu ingressei na corporação em 1992, O pri-meiro local que eu trabalhei após a formatura foi em Curitiba.

Fui primeiro colocado de turma no curso de formação de oficiais bombeiros militares e permaneci em Curitiba por quase dois anos, fui transferido para o primeiro SGBI que ficava sediado em Foz do Iguaçu, hoje é o nono batalhão de bombeiros lá permaneci por oito anos e fui então designado por dois anos para comandar isolado o Corpo de Bombeiros de Medianeira.

Quando fui promovido a capitão, retornei a Foz do Iguaçu, lá permanecendo por mais dois anos ao todo, na região oeste, trabalhei por 12 anos.

Em 2008, recebi um convite para trabalhar na Casa Militar da Governadoria, na Divisão de Defesa Civil .Fui subchefe, então, da Divisão de Defesa Civil e lá permaneci também por 12 anos, passando diversas vezes pelas funções de chefia e subchefia da Divisão de Defesa Civil, até que em 2019 e 2020 a Divisão de Defesa Civil, ela saiu da casa militar, permaneceu vinculada à governadoria, compondo então a coordenadoria estadual de proteção, a coordenadoria estadual da defesa civil.

Na sequência, fui convidado para trabalhar na SEDEC – Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, que era junto ao Ministério do Desen-volvimento Regional, hoje Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional.

Na época, então, fui para Brasília, trabalhei no Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres como coordenador geral de geren-ciamento de desastres que tinha como função principal a articulação com ministérios, secretarias nacionais, com órgãos federais para que o governo federal respondesse aos grandes desastres no país.

Lá permaneci por um ano e meio, retornei ao Paraná sendo designado para chefear a então BM7, que era a sessão que cuidava das questões de prevenção, assessorando o comandante-geral e o chefe do Estado-Maior do Comando-Geral do Corpo de Bombeiros.

Capitaniei o grupo que realizou o estudo que verificou a que tinha como escopo verificar a viabilidade, ou não, da des-vinculação do Corpo de Bombeiros do Paraná, da estrutura da Polícia Militar.

Foram mais de 240 bombeiros que integraram 44 grupos diferentes, 44 projetos, num grande programa, que acabou, no final, tendo como resultado o indicativo favorável à desvinculação.
Que ocorreu em 14 de dezembro, 2022.

Após a desvinculação, fui promovido ao posto de coronel, então convidado para assumir o subcomando do geral do CBMPR e no dia 2 de abril de 2025, recebi convite a assumir o comando-geral da corporação.
Desde então estamos labutando nesta função, e essas são os principais momentos da minha carreira.

Quais são os maiores desafios enfrentados atualmente pelo CBMPR em um cenário de constantes mudanças climáticas e aumento das ocorrências de emergência?

Quanto aos principais desafios atualmente enfrentados pelo Corpo de Bombeiros Militar em cenários constantes de mudanças climáticas e aumento das ocorrências de emergência, nós com vistas a atender a demanda referente ao trabalho do Corpo de Bombeiros, que é justamente na atuação aos efeitos das mudanças climáticas.

Temos constantemente procurado qualificar mais, cada vez melhor o nosso pessoal para atuação em grandes incidentes gerados a partir das mudanças climáticas, como os próprios incêndios florestais, os deslizamentos, as inundações, os alagamentos, enfim, esse tipo de ocorrências que acabam advindo das mudanças climáticas, enquanto seus efeitos.

Aquisição de equipamentos, não dá pra deixar de mencionar, o então secretário de Segurança, Coronel Hudson, o atual secretário de Segurança, Coronel Sanson, e claro, sem dúvida nenhuma, e com justa referência, o governador Ratinho Júnior, que entendendo essas necessidades nossas tem dado todo o apoio orçamentário, financeiro, orga-nizacional, para que possamos nos preparar melhor para enfrentamento a essas ocorrências vinculadas às mudanças climáticas e ocorrências advindas da natureza.
Esses eventos relacionados a natureza podem ter efeitos muito diferentes daqueles que se imaginam , porque a natureza tem o desafio da incerteza, não apenas para o Paraná, mas para todos os corpos de bombeiros e orgãos de atendimento a emergências do mundo. Inclusive temos visto com frequência as mudanças climáticas sendo noticiadas por todo o mundo, oque dificulta ainda mais as ações em emergências.

A força da natureza pode ser vista nesse terremoto recente acontecido na Venezuela. O que trás consequências graves e atendimento a ocorrências complexas.

Como o senhor avalia a evolução tecnológica dos serviços prestados pelo Corpo de Bombeiros nos últimos anos?

O Corpo de Bombeiros Militar do paraná, este ano completa 114 anos de existência , sendo fundado no dia 8 d e outubro de 1912.

A evolução da corporação desde então é constante aprimoramento e evolução de equipamentos, tecnologias e procedimentos

E o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná acom-panha isso pari passu, procurando sempre realizar as necessárias adaptações para as crescentes demandas que surgem em nossa sociedade, advin-das também, como já disse, das próprias mudanças climáticas.

Se compararmos a época da fundação do CBMPR, ao que temos hoje por exemplo, o parque de máquinas, equipamentos e viaturas,a moder-nização foi muito grande.

E essa evolução é constante, hoje temos aeronaves, escadas mecânicas, plataformas mecânicas, bombas de combate a incêndio dos caminhões , muito mais potentes. Os equipamento de proteção individual também tiveram grande mudança, quando eu entrei no CBMPR, combatíamos incêndios com o próprio fardamento, mas hoje há EPI exclusivo para combate a incêndio estrutural, e esse é um exemplo de tantos outros EPIs que temos disponíveis para nossos bombeiros militares.

Os capacetes, as botas, luvas, não existe mais uniforme adaptado, são equipamentos desen-volvidos para a função de proteger para a atividade a ser realizada, com normas e testes que garantem a segurança da tropa.

Coronel Hiller e General Rabelo

Isso mostra que além de todo o equipamento para salvamento, combate a incêndio, atendimento pré-hospitalar, há que se destacar a proteção ao ser humano, ao bombeiro, que coloca sua vida em risco e essa proteção produzida pelos equipamentos de proteção individual é algo assim que nos alegra muito porque vimos antigamente incidentes que aconteciam com os bombeiros em virtude de não existirem equipamentos adequados para sua proteção.

E essa evolução tecnológica está em todas as áreas de bombeiros, e é uma constante. O CBMPR vem rotineiramente estudando novas tecnologias, tes-tando equipamentos e procurando sempre o que há de mais atual no mundo dos bombeiros, com relação a equipamentos, viaturas, protocolos de atendimento, para que possamos proporcionar a melhor resposta à população paranaense.

Qual a importância da prevenção para reduzir acidentes e salvar vidas?

A prevenção é muito importante pois auxilia na redução de acidentes e também pode salvar vidas . E essa prevenção está relacionada aos Incêndio e pânico, desastres, nas edificações, nas estruturas temporárias , shows e grandes eventos.

Em uma edificação ou em um evento temporário, caso ocorra um incidente , pessoas podem ser vítimas.

Não há uma garantia 100% de que uma edificação 100% regular, uma edificação que atenda todas as normas de segurança, garanta também 100% a sobrevida das pessoas.

Mas a chance da sobrevida, a chance de menos feridos ou até não haver feridos aumenta bastante.O não atendimento às normas de segurança nas edificações, nos eventos temporários, isso sim é algo que tem um potencial danoso muito grande.

Então, o atendimento às normas de segurança é fundamental para que se aumente as chances de sobrevida, e vitimas com ferimentos mais leves, ou ate mesmo não hajam vítimas, de forma que evacuem das edificações ou de eventos temporários, ilesas.

Mas é importante ressaltar que os locais que atendem as normas de segurança , mantenham as mesmas estabelecidas e que as pessoas que utilizam o espaços estejam cientes do que deve ser feito em caso de ocorrência naquele espaço, aumentando assim a segurança da população.

E da mesma forma no trânsito, nas praias, nos balneários de água doce, o serviço preventivo, citamos as praias, os balneários na época de veraneio aqui no Paraná, uma campanha bastante intensa pedindo para que as pessoas se posicionem na área coberta pelos postos de guarda-vida é realizada.

Contudo, infelizmente resultando todos os anos nós temos incidentes graves, muitos deles infelizmente redundando em óbitos de banhistas que insistem em adentrar ao mar ou aos balneários em locais não cobertos pelos serviços de guarda-vidas.

Então, isso é algo bastante importante, que as pessoas tenham uma participação fundamental para que os sistemas de prevenção funcionem.
E o conhecimento sobre esses sistemas, mesmo numa edificação.

Saber onde está o extintor.

Saber o que significam as placas de rota de fuga, saída de emergência.

Qual é a saída de emergência mais próxima de onde estou nesse show, cinema, festa. Muitas vezes não é a mesma pela qual foi a entrada principal. Assim, ser um agente ativo na prevenção , observando essas questões de segurança, vai ser um divisor de águas em caso de um incidente.

Os sistemas de prevenção só funcionam com a participação daqueles que são diretamente im-pactados por esses sistemas.

Desta forma, se eu não conheço nada do sistema preventivo, não sei como agir, não me dirijo a um local onde está indicando a saída de emergência, e no momento da emergência eu me dirijo a outra saída, as consequencias podem ser graves.

Isso aumenta o risco de lesões e até de consequencias fatais.
Então essa participação das pessoas é fundamental.
Note-se aí o que eu mencionei quanto ao mar, quanto aos balneários de água doce.

E logicamente é impossivel para qualquer corpo de bombeiros do mundo colocar serviços guarda vidas em todo balneários existentes, em todo lago, em todo rio, em todo segmento de rio existente nos territórios dos países.

Então as pessoas tem que realmente procurar locais cobertos pelo serviço de guarda-vidas e não abusar.
Não entrar na água em áreas mais profundas, não beber, não ingerir alimentação pesada antes de entrar na água , tendo atitudes seguras e preventivas nesse momento de diversão

Como funciona a integração do CBMPR com outros órgãos de segurança pública e defesa civil?

O Corpo de Bombeiro Militar do Paraná está desvincluado da Polícia Militar a pouco mais de três anos e podemos afimar com toda convicção que a integração e articulação com os outros orgãos de segurança pública e a defesa civil do estado do Paraná são totais.

Há uma aproximação não só das lideranças, dos chefes, dos comandantes dos órgãos de segurança pública e da própria defesa civil, mas a própria estrutura de resposta tem sido motivada a essa aproximação.

Hoje, com polícia civil, polícia científica, polícia militar, polícia penal, O Corpo de Bombeiros Militar está muito próximo, assim como a Defesa Civil Estadual, que é composta por bombeiros militares, em uma grande parcela do seu efetivo, muito embora não haja uma vinculação funcional da Defesa Civil Estadual com o Corpo de Bombeiros Militar aqui no Paraná.

A Cordenadoria Estadual de Defesa civil, contem um Coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil que faz parte do primeiro escalão do governo, tendo um contato direto com o gabinete do governador, para as tratativas necessárias, visando as articulações e movimentações necessárias com diversos orgãos no enfrentamento aos desastres.

De que forma a corporação tem investido na capa-citação e valorização de seus bombeiros militares?

Enquanto ao futuro do Corpo de Bombeiros Militares do Paraná, nós percebemos que nesses poucos anos de desvinculação tivemos a manutenção de tudo que vinha sendo realizado, as carreiras continuaram a evoluir, os cursos, todos os cursos de aperfeiçoamento, de especialização, os cursos necessários para evolução nas carreiras continuam sendo realizados em sua totalidade.

Foi criado o quadro de oficiais especialistas, tendo no Paraná uma turma formada com 2º tenentes , e mais um curso de habilitação de oficiais especialistas (CHOE) , ocorrendo agora com 15 alunos oficiais.
Há também o CAO, Curso de aperfeiçoamento de oficiais , frequentado por capitães.

Curso de aperfeiçoamento de sargentos, curso de sargentos, curso de salvamento de altura, curso de mergulho autônomo, enfim, todos os cursos continuam acontecendo com a devida rotina.

Conseguimos inaugurar a Escola Superior de Bombeiro Militar, em 2025, e está em pleno vapor, agora capitaneando todos os quase 700 alunos do curso de formação de praças, que ocorrem de forma descentralizada em todas as unidades operacionais do Paraná e na ESBM , onde há o maior efetivo de alunos.

Dessa forma há varios cursos e o CFO, com varias turmas ocorrendo na ESBM simultaneamente.

A gente enxerga, então, um futuro promissor para o CBMPR.

Isso tudo proximidade com a secretaria de estado da segurança publica e com seu secretario, o enten-dimento sobre as necessidade do CBMPR pela SESP,para que a população seja bem atendida.As demandas que são acolhidas resultando na possibilidade de desenvolvermos projetos de cresci-mento e fortalecimento do CBMPR, nas mais diversas áreas, no combate ao incêndio, no Sistema integrado de atendimento ao trauma em emergencia (SIATE), e todas as outras áreas de atendimento.

A força tarefa de resposta a desastres (FTRD) foi iniciada no Paraná em 2017 e foi desintensificada. Em 2023 nós reorganizamos esta Força tarefa a qual atua nos mais diversos desastres ocorridos em nosso estado e fora dele.

Juntamente com integrantes do Corpo de Bombeiros de São Paulo e Minas Gerais, o Paraná compõe a primeira iniciativa brasileira de uma equipe vinculada a ONU , INSARAG, BRA 01, já tem até

esse nome, para atuação nos grandes desastres, em especial terremotos pelo mundo.

Então, integrantes nossos, neste momento, estão na Venezuela, fazendo atendimento à busca por sobreviventes naquele país que foi acometido por esse terremoto recentemente.
Vemos que o corpo de bombeiros tem se fortalecido, novos batalhões agora também foram aprovados.

O crescimento de nosso efetivo também foi aprovado recentemente, neste mês de junho, pela Assembléia, encaminhado pelo governador, sancionando a lei, criando por decreto esses novos batalhões, os três novos batalhões sediados na cidade de Irati, Toledo, e a criação do Batalhão Bombeiro Militar Marítimo , BBMar, que fará o atendimento das demandas na região litorânea relativas a área do Mar.

No CBMPR não tinhamos nenhuma unidade especializada.

E se mostrou extremamente .viável e necessário, pois temos uma demanda reprimida de atendimentos nas próprias ilhas da região do litoral do estado e esse BBMar com certeza ajudará muita gente.

Para encerrar, qual mensagem o senhor deixa aos leitores da Revista Bombeiros Brasileiros?

Como última mensagem aos leitores da revista Bombeiros Brasileiros, eu tenho que dizer que confiem nos bombeiros dos seus estados.

Os bombeiros militares possuem um Conselho Nacional de Comandantes Gerais de Bombeiros Militares que se reúne frequentemente discutindo e apresentando propostas para fortalecimento e melhoria dos serviços de bombeiros no país.

Os corpos de bombeiros militares já têm um reconhe-cimento da população, mas nós não queremos viver de reconhecimento, nós queremos viver, sim, de atuação, de vidas salvas, de sofrimentos diminuídos, acalentados, de bens salvos, meio ambiente protegido.

Tenho certeza que os corpos de bombeiros militares no Brasil, não somente o CBMPR, se esforçam diariamente para dar o melhor em prol da população brasileira.

Fotos: CBMPR
Capitã: Luisiana Guimarães Cavalca
Porta-voz (CBMPR)