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SEGURANÇA DIGITAL 

 

NÃO CAIA NO GOLPE DO PERFIL FALSO!

Criminosos estão usando WhatsApp, nomes, fotos e linguagem profissional para dar credibilidade às fraudes

 

                                                                                                            M. Antunes Jornalista.
A aparência de uma conversa legítima pode esconder uma tentativa de golpe.
Os golpes praticados por meio de perfis falsos estão cada vez mais sofisticados. Não se trata mais apenas daquela mensagem mal escrita, com erros evidentes, que permite ao destinatário perceber imediatamente que há algo errado. Hoje, os criminosos estudam a vítima, utilizam fotografias reais, imitam a linguagem de profissionais e constroem uma narrativa capaz de transmitir confiança.
Eu mesmo fui alvo de duas tentativas de golpe em apenas uma semana, entre os dias 16 e 21 de agosto de 2026 — e as duas ocorreram pelo WhatsApp.
Na primeira tentativa, o criminoso se passou pelo meu advogado. Utilizou outro número de telefone, apresentou informações sobre um processo judicial e mencionou valores, tudo de maneira muito convincente. A abordagem dizia respeito a uma suposta vitória em uma ação contra uma empresa de telefonia. Havia, porém, um detalhe decisivo: o processo apresentado já havia transitado em julgado. Ou seja, a narrativa utilizada pelo golpista não correspondia à situação real do processo.
Dois dias depois, surgiu uma segunda tentativa. Desta vez, o criminoso se apresentou como se fosse a gerente da pessoa jurídica do banco no qual minha empresa mantém conta corrente. A abordagem procurava transmitir profissionalismo e proximidade. Com muita classe e linguagem típica do meio bancário, a pessoa afirmava que, daquele momento em diante, cuidaria da minha pasta, garantindo a qualidade de atendimento que eu e minha empresa merecíamos.
Mas todo golpista acaba deixando uma pista. E é justamente aí que precisamos estar atentos. Uma informação que não bate, um número diferente, uma solicitação inesperada, uma pressa incomum ou um pedido de dados pode ser suficiente para revelar a fraude.
O problema está longe de ser um caso isolado. Os dados mais recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram a dimensão do fenômeno: em 2025, foram registrados 2.261.055 estelionatos no Brasil, equivalentes a 258 golpes por hora. Em comparação com 2018, o crescimento acumulado chegou a 429,8%.
O golpe do WhatsApp pode assumir várias formas. O criminoso pode criar uma conta utilizando a fotografia de uma pessoa conhecida e pedir dinheiro com urgência, fingir ser um parente ou amigo, ou ainda se apresentar como gerente de banco e solicitar dados cadastrais, documentos, senhas ou outras informações pessoais. A criatividade dos fraudadores acompanha a evolução da tecnologia.
Por isso, a principal defesa continua sendo a atenção. Não basta reconhecer a fotografia ou a forma de escrever de alguém. É necessário confirmar a identidade por outro meio, desconfiar de pedidos urgentes e nunca fornecer senhas ou códigos de segurança em uma conversa inesperada.
No meu caso, duas tentativas ocorreram em poucos dias. Felizmente, a atenção permitiu perceber que havia algo errado. Mas quantas pessoas, diante de uma mensagem aparentemente legítima, acabam acreditando na história e realizando uma transferência antes de confirmar quem está do outro lado?
A mensagem é simples: o criminoso pode mudar de nome, fotografia, profissão e discurso. O que não podemos mudar é a nossa atenção. Em tempos de inteligência artificial, engenharia social e comunicação instantânea, verificar antes de agir deixou de ser apenas uma precaução — tornou-se uma necessidade.

ANTES DE RESPONDER, CONFIRA:

• Se o número de telefone é realmente o utilizado pela pessoa conhecida.
• Se o processo, banco ou empresa citados existem e correspondem aos fatos.
• Se a pessoa pode ser confirmada por uma ligação ou canal oficial.
• Nunca forneça senhas, códigos de autenticação ou dados bancários por mensagem inesperada.
• Desconfie de urgência, pressão ou promessa de dinheiro.

Fonte dos dados estatísticos: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, dados de 2025.

M. Antunes Jornalista